O Banco da República da Colômbia (Banrep) decidiu, por unanimidade, manter a taxa básica de juros em 11,25% ao ano. No comunicado, a junta ressaltou a necessidade de equilibrar o suporte à recuperação da atividade com a contenção de uma inflação ainda elevada: a inflação ampla alcançou 5,6% em março, enquanto o núcleo (sem alimentos e preços regulados) subiu a 5,8%.

A autoridade destacou sinais recentes de recuperação: maior demanda por energia, produção manufatureira mais robusta, comércio varejista aquecido e avanço das exportações, que apontam para um crescimento no primeiro trimestre acima do ritmo do fim de 2025. O mercado de trabalho segue dinâmico, com desemprego em patamares historicamente baixos e aumento do emprego formal.

Ao justificar a cautela, o Banrep também apontou riscos externos: a continuidade do conflito no Oriente Médio pode pressionar preços internacionais de energia, fertilizantes e outros insumos, além de apertar as condições financeiras externas. As projeções de inflação para o fim de 2026, que haviam recuado, apresentaram nova alta parcial, reforçando a incerteza sobre a trajetória de preços.

A manutenção da taxa em nível elevado deixa clara a dificuldade de reduzir o aperto sem ver a inflação persistir — um dilema clássico entre crescimento e estabilidade de preços. Para os agentes econômicos, juros altos encarecem crédito e freiam investimentos; para o banco central, o desafio será calibrar a normalização sem sufocar a recuperação. Futuras decisões dependerão rigidamente da evolução dos dados econômicos e dos choques externos.