O governo de Bogotá anunciou nesta segunda-feira que a Colômbia não aplicará tarifas de 100% sobre as importações vindas do Equador, revertendo uma decisão anterior do Ministério do Comércio. Em vez disso, o presidente apresentou a adoção de subsídios e uma política de tarifas mais seletiva, sem especificar quais produtos seriam atingidos, a amplitude das medidas ou o impacto orçamentário.
A escalada entre os dois vizinhos começou em janeiro, quando Quito aumentou tarifas sobre produtos colombianos para 30%, alegando déficit comercial e falhas na cooperação contra o narcotráfico na faixa de fronteira. Bogotá reagiu em marcha de retaliação, inclusive suspendendo a venda de eletricidade ao Equador. A resposta de Petro agora busca desarmar o confronto direto, mas mantém a pressão política ao prometer instrumentos que favoreçam a indústria local.
Os números oficiais reforçam a assimetria do choque: segundo o DANE, a Colômbia registrou superávit de US$ 1,016 bilhão no comércio com o Equador em 2025, com exportações de US$ 1,847 bilhão e importações de US$ 830,1 milhões. A reversão das tarifas evita um impacto abrupto nas cadeias regionais, mas a ausência de detalhes sobre os subsídios abre dois questionamentos imediatos: quem pagará a conta fiscal e se as medidas serão suficientes para responder às reivindicações equatorianas sobre segurança e controle fronteiriço.
Politicamente, o recuo reduz um confronto de custo elevado entre os governos, mas expõe fragilidades na coordenação entre ministérios e na estratégia externa de Bogotá. A promessa de redirecionar excedentes de produção para outros mercados regionais foi citada pelo presidente, com menção a alternativas comerciais, sem, contudo, apresentar plano concreto. O resultado é um cenário de estabilização temporária, que dependerá agora de negociações bilaterais e da capacidade do Executivo colombiano em transformar declarações genéricas em medidas práticas, transparentes e fiscalmente sustentáveis.