O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira para encaminhar ao plenário a indicação de Kevin Warsh como próximo presidente do Federal Reserve. A decisão seguiu a linha partidária: os 13 republicanos do Comitê votaram a favor; os 11 democratas, contra. A retirada da oposição do senador Thom Tillis foi atribuída à conclusão do Departamento de Justiça sobre a investigação que envolvia Jerome Powell.

Warsh, ex-governador do Fed e conselheiro financeiro, promete reformular partes da instituição e falou em uma “mudança de regime” na condução da política monetária. Ele também assegura defender a independência do banco central, mas não apresentou detalhes sobre como seria a nova arquitetura. Para democratas que questionaram a indicação, a proximidade com o presidente Trump e a retórica sobre cortes de juros geram desconfiança quanto à autonomia técnica do Fed.

O avanço no Comitê ocorre às vésperas de uma reunião do FOMC em que Powell pode liderar sua última decisão como presidente. A expectativa é pela manutenção da taxa básica em 3,50%–3,75%, diante da inflação ainda elevada e do impacto de choques externos no preço do petróleo. A incerteza sobre quem conduzirá a política nos meses seguintes aumenta o risco de volatilidade nos mercados e complica o planejamento de agentes econômicos sensíveis a juros.

Permanece ambígua a continuidade de Jerome Powell no Conselho do Fed caso Warsh seja confirmado: sua permanência poderia provocar uma tentativa de demissão por parte do presidente, movimento que alimentaria batalhas judiciais e tensão institucional. A short lista de prazos aponta para votação no plenário na semana de 11 de maio e posse possível até 15 de maio, se confirmado — cenário que coloca Washington diante de um teste sobre a distância entre política e autonomia da autoridade monetária.