Uma comitiva de empresários organizada pela FecomercioSP desembarca em Brasília para tentar impedir a aprovação da PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, conhecida no setor produtivo como proposta do 6x1. A delegação, formada por representantes de diversos municípios paulistas e setores que vão do varejo aos serviços, planeja encontros com deputados de diferentes partidos e com o presidente da Câmara, Hugo Motta.
A pressão coincide com a primeira reunião da comissão especial, que abre o calendário de debates do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). No roteiro da comissão estão a votação de requerimentos e convocações — entre elas pedidos para ouvir trabalhadores, lideranças sindicais e o ministro Guilherme Boulos — e a previsão do relator de votar a proposta na última semana de maio, com reuniões semanais extras.
A FecomercioSP argumenta que a mudança elevaria em R$ 158 bilhões o custo da folha, reduziria vagas, diminuiria horas extras e ampliaria informalidade. A entidade afirma ainda que a proposta penaliza especialmente as mulheres — que representam entre 44% e 50% da força de trabalho no varejo — por reduzir oportunidades relacionadas a turnos de fim de semana e adicionais.
O desembarque empresarial acende um foco político e econômico para parlamentares: além de disputar o mérito técnico da proposta, a mobilização coloca sobre a mesa o custo político de uma eventual aprovação para setores sensíveis da economia e reforça o enfrentamento entre demanda por proteção do emprego e pressões por custo e flexibilidade no mercado de trabalho.