Os episódios recentes envolvendo instituições como Digimais e PicPay reacenderam a pergunta básica de investidores: como saber se um banco é confiável antes de aplicar? A tentação por rentabilidades acima da média não pode ser o único critério. Especialistas citados no programa Resenha do Dinheiro apontam que crescimento acelerado da carteira de crédito e ofertas de CDB com remuneração muito superior ao mercado aparecem repetidamente em casos de problema.

Há sinais objetivos a checar. Primeiro, o índice de Basileia: ele mede a capacidade do banco de absorver perdas e deve ficar acima do mínimo regulatório com folga em instituições saudáveis. Em seguida, procure por lucros consistentes ao longo do tempo e provisões adequadas para empréstimos; resultados voláteis ou lucros atípicos podem mascarar deterioração do balanço. A velocidade de expansão da carteira de crédito e a concentração por setor ou grupo de clientes também aumentam o risco. E sempre questione por que a remuneração oferecida é significativamente maior que a praticada pelos grandes bancos.

Quando o investidor não tem informação ou tempo para análise detalhada, as recomendações são práticas: 1) consultar demonstrações financeiras e indicadores prudenciais; 2) verificar histórico de lucro e provisões; 3) checar rating e reputação da administração; 4) evitar concentrar todo o capital numa única instituição; 5) recorrer a um assessor ou instituição de confiança quando necessário. Lembre-se: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é camada adicional de proteção, mas não é ilimitado — não transforme-o em desculpa para exposição concentrada.

Além do aconselhamento individual, os episódios recentes reforçam a necessidade de aperfeiçoar a supervisão do sistema financeiro, como observa quem acompanha o tema. Falhas de supervisão elevam o custo para o consumidor e podem transferir riscos sistêmicos ao FGC e à confiança no mercado. A educação financeira, promovida por iniciativas como a Resenha do Dinheiro, ajuda a reduzir a busca por “atalhos” de rentabilidade e a empurrar decisões mais informadas por parte dos investidores.