Apesar de sinais de normalização do preço do querosene após o choque ligado à guerra no Irã, as maiores companhias aéreas dos Estados Unidos mantêm tarifas elevadas. A explicação não é apenas o custo do combustível: a forte procura por viagens e o redesenho da oferta deram às empresas margem para sustentar preços mais altos enquanto os passageiros continuam reservando em números recordes.
O combustível — que praticamente dobrou desde o início do ano — é hoje o segundo maior gasto das empresas, atrás apenas da mão de obra. Ainda assim, as quatro maiores aéreas já gastavam, em média, cerca de US$ 100 milhões por dia no ano passado; e a Delta reportou um aumento de US$ 2 bilhões nos custos de combustível apenas neste trimestre. As empresas vêm repassando parte desse custo e os resultados mostram que a tarifa média por milha percorrida está cerca de 20% superior à do ano passado.
Executivos ouvidos em teleconferências com analistas deixaram claro que a disposição dos consumidores em pagar mais por voos e por serviços extras torna provável a manutenção das tarifas mesmo se o combustível cair. Além disso, cortes em rotas menos lucrativas — como a redução de cerca de 5% na malha da United prevista até setembro — e a retirada de tarifas promocionais comprimem a oferta e elevam o preço médio. A Southwest já sinalizou múltiplos aumentos de preço no setor e há espaço para ajustes adicionais.
Do ponto de vista do consumidor e da economia, a manutenção de tarifas altas significa pressão sobre orçamentos familiares e sobre o segmento de viagens, potencialmente reduzindo gastos discricionários em outros setores. Para o mercado, trata-se de uma prova de que preços definidos pela demanda e pela estrutura de oferta podem se distanciar rapidamente dos custos operacionais, levantando questões sobre disciplina competitiva e eficiência no setor quando as condições de custo voltarem a se normalizar.