A Compass Gás e Energia anunciou que o preço de sua oferta pública inicial será de R$ 28 por ação — o patamar mínimo da faixa originalmente divulgada — resultando em uma oferta base de 100,9 milhões de ações e um montante de R$ 2,82 bilhões. O anúncio, feito em fato relevante, confirma a precificação no piso negociado no final de abril, quando a faixa havia sido informada entre R$ 28 e R$ 35 por ação.

Em paralelo, a controladora Cosan informou a venda de 76,8 milhões de papéis, além de ter concedido opção de lote suplementar de até 13,4 milhões de ações ao mesmo preço. Caso essa parcela adicional seja colocada, o valor total da operação pode alcançar R$ 3,20 bilhões, com a Cosan captando R$ 2,53 bilhões desse total.

A transação implica redução da participação da Cosan na Compass: o grupo passará de 88% para 77,25% após a oferta base, podendo cair a 75,37% se o lote suplementar for executado por inteiro. Para o mercado, a fixação do preço no piso da faixa indicativa é um dado relevante sobre a formação de preço e a percepção de risco/retorno dos investidores na estreia da companhia na bolsa.

Do ponto de vista institucional e financeiro, a operação traz efeitos claros: maior liquidez e capitalização para a Compass, injeção de recursos para a Cosan e diluição do controle. Resta ao mercado avaliar se a precificação condiz com a avaliação de ativos do setor energético e com as expectativas de demanda por papéis de empresas de gás em um cenário competitivo.