A edição de 2026 do ranking de competitividade do IMD confirma uma mudança de eixo: a vantagem competitiva do século XXI está cada vez mais condicionada à capacidade de um país de se inserir na economia digital e nas cadeias de maior valor da inteligência artificial. Singapura assume a liderança, seguida por Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos; entre os dez primeiros aparecem ainda Dinamarca, Irlanda, Suécia, Holanda e Estados Unidos. O recado é claro: investimento em tecnologia, segurança jurídica e infraestrutura digital virou critério central.
A ascensão de economias asiáticas e do Oriente Médio não é surpresa: Singapura e Taiwan consolidaram posições em data centers e semicondutores, Hong Kong reforçou o papel de porta de entrada para capitais, e os Emirados apostaram em atração de empresas de tecnologia. O IMD aponta que ativos como centros de processamento de dados, redes de energia estáveis e cadeias de suprimento de semicondutores tornaram-se estratégicos — e os países que souberam alinhar políticas públicas e incentivos privados colheram os benefícios.
O Brasil surge no relatório com sinais contraditórios. Apesar de ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, vasta água, reservas de minerais críticos e potencial para abrigar data centers, o país figura apenas na 65ª posição entre 70 economias avaliadas. O problema não são os recursos, mas a capacidade de convertê‑los em vantagem competitiva: baixa produtividade, complexidade tributária, insegurança regulatória, gargalos logísticos e fragilidade do sistema educacional freiam investimentos de longo prazo.
Para virar o jogo é preciso uma estratégia pragmática: políticas que reforcem previsibilidade jurídica, simplifiquem o ambiente tributário, reduzam custos logísticos e acelerem ajustes no ensino técnico e científico — tudo isso sem perder de vista responsabilidade fiscal. O país tem argumentos para disputar investimentos em energia e infraestrutura de dados, mas a janela de oportunidade depende de capacidade administrativa e de um plano coerente de atração de capital que deixe de ser retórica e vire projeto executável.