O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) medido pela Ipsos recuou 3 pontos em abril e ficou em 49,2 — pela primeira vez no ano abaixo da linha dos 50 pontos. Segundo a pesquisa com abrangência nacional, o movimento marca uma transição do cenário de cautela para uma percepção predominantemente negativa sobre a economia.

A instituição destaca que a âncora otimista das expectativas sofreu uma correção: o consumidor deixou de projetar melhora automática no curto prazo. A combinação de inflação persistente, juros em patamar elevado e revisões para cima nas projeções de itens essenciais, como alimentos e energia, reduziu a confiança e mudou o comportamento de compra.

Os subíndices de Situação Atual e de Investimento foram os mais afetados, o que a Ipsos interpreta como um ‘modo de retirada’: famílias travam compras de maior valor e priorizam a manutenção do orçamento básico. O diagnóstico acompanha perdas em outras economias — EUA (-2,2), Reino Unido (-2,1), Alemanha (-1,8) — e quedas acentuadas na América Latina, como o recuo de 7,5 pontos no Chile.

Para empresas e políticas públicas, o recuo implica sinais concretos: pressiona o varejo, dificulta a recuperação da atividade e pode restringir receitas tributárias ligadas ao consumo. Do ponto de vista político e econômico, o índice funciona como termômetro — mostra que a recuperação ainda é frágil e que ajustes na política econômica e na oferta de renda podem ser necessários para restabelecer a confiança.