O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), da CNI, recuou 2,3 pontos em julho e ficou em 44,4, o menor nível em cinco anos. O resultado mantém o indicador há 19 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança — sequência que só perde em duração para o período de recessão entre 2015 e 2016.

A deterioração veio tanto pelas condições correntes, que caíram 0,7 ponto e estão em 41,6, quanto pelas expectativas, que caíram 3,1 pontos e passaram a 45,8 — a maior queda desse componente desde novembro de 2022. A pesquisa ouviu 1.118 empresas (442 pequenas, 411 médias e 265 grandes) entre 1º e 7 de julho.

Para a CNI, um período tão prolongado de pessimismo tende a se traduzir em redução de efetivo, queda na produção e até cancelamento de investimentos produtivos, sinais que pressionam o ritmo de recuperação econômica. A entidade aponta ainda influência de choques externos recentes, como a escalada do conflito no Oriente Médio e a ameaça de retomada de tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, como fatores que ampliaram a incerteza.

O dado reforça um problema estrutural: sem retomada da confiança empresarial, medidas pontuais de estímulo perdem eficácia. O diagnóstico da indústria acende alerta para o governo e para o mercado — pressionando pela clareza de políticas que reduzam incertezas, melhorem o ambiente de negócios e evitem novo ciclo de perda de emprego e adiamento de investimentos.