A confiança do setor de serviços no Brasil recuou pelo terceiro mês consecutivo em abril, chegando a 87,8 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) registrou queda de 0,6 ponto ante março, puxada tanto pela deterioração da percepção sobre o momento presente quanto pela piora das expectativas.

Os componentes confirmam o enfraquecimento: o Índice de Situação Atual (ISA-S) caiu 0,4 ponto, para 92,1, e o Índice de Expectativas (IE-S) recuou 0,7 ponto, a 83,7. Para o economista do FGV IBRE Rodolpho Tobler, o efeito é combinado: endividamento das famílias em níveis recordes e juros ainda restritivos já pesavam sobre a confiança; ao isso se soma a turbulência externa, com o conflito no Oriente Médio, que pressiona preços do petróleo e atrasa a perspectiva de alívio monetário.

Na prática, a disseminação da piora pelos dois componentes sugere que o ambiente adverso pode começar a se refletir também na atividade efetiva do setor, que é intensivo em mão de obra e sensível ao consumo das famílias. Menor confiança tende a adiar decisões de compra e investimento em serviços, ampliando riscos sobre emprego e receitas de empresas do segmento.

Os dados chegam na véspera da decisão do Banco Central, prevista para 29 de abril, quando o mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,75%. Mais do que uma cifra técnica, a sequência de revisões na confiança coloca um dilema político e econômico: sinais claros de fraqueza reduzem o espaço para cortes rápidos e tornam mais custoso justificar relaxamento monetário diante do risco de inflação importada e da necessidade de preservar credibilidade.