A confiança do setor de serviços teve nova melhora em junho, segundo dados da FGV. O Índice de Confiança de Serviços subiu 2,1 pontos, para 90,8, o maior patamar desde janeiro de 2026 (90,9). Foi o segundo mês consecutivo de alta, com avanço tanto da percepção do presente quanto das perspectivas futuras.

O indicador de Situação Atual cresceu 0,9 ponto, a 92,6, enquanto o Índice de Expectativas teve alta mais expressiva: 3,3 pontos, alcançando 89,1 — a maior elevação mensal desde janeiro. Especialistas da FGV e do IBRE associam parte do alívio à redução da incerteza externa, com distensão no Oriente Médio e acomodação dos preços do petróleo.

Apesar do sinal positivo, o quadro permanece frágil. Juros em patamar restritivo e o elevado endividamento das famílias operam como contrapesos claros, reduzindo espaço para que a recuperação da confiança se traduza em consumo firme. Em termos práticos, setores dependentes da demanda das famílias devem seguir cautelosos.

Politicamente e economicamente, a melhora traz um alívio pontual: reduz alguma pressão sobre agentes e sobre narrativas oficiais, mas não elimina riscos. A tendência precisa ser confirmada nos próximos meses; se a estabilidade externa se mantiver e os encargos financeiros recuarem, a confiança poderá evoluir. Caso contrário, a alta pode ser apenas transitória.