A escalada do conflito no Oriente Médio empurrou novamente o barril para perto de US$90, após cotações girarem em torno de US$70. Para o presidente-executivo da Abespetro, Telmo Ghiorzi, a combinação de fatores — expansão do fracking nos EUA, a instabilidade na Venezuela e o agravamento das tensões com o Irã — torna os preços mais voláteis e coloca a commodity de novo no centro das atenções financeiras.

O componente logístico intensifica o problema. Cerca de 20 milhões de barris por dia — perto de 20% da oferta mundial — passam pelo Estreito de Hormuz, e a ameaça de bloqueios em outros corredores, como o Bab el-Mandeb, eleva o risco de interrupções. Ghiorzi lembra que estoques globais ainda não foram integralmente recompostos após crises recentes, o que prolonga o período de incerteza e torna difícil repor rapidamente volumes perdidos.

No plano dos investimentos, a indústria mantém horizonte de longo prazo: entre leilão e primeiro óleo costuma haver cerca de dez anos, e decisões de projetos bilionários não se baseiam nas oscilações diárias. Empresas ainda trabalham com parâmetros de resistência — como o preço de referência usado pela Petrobras — e faixas históricas para avaliar viabilidade, o que atenua reações intempestivas, mas não elimina os efeitos econômicos imediatos.

As implicações são claras para a agenda econômica: preços mais altos do petróleo tendem a pressionar custos de transporte e combustíveis, produzir efeito secundário na inflação e criar desafios fiscais quando subsídios ou controle de preços forem acionados. No campo energético, choques históricos costumam acelerar busca por alternativas; renováveis avançam, mas, no curto e médio prazos, não substituem totalmente o petróleo. O cenário expõe, portanto, um dilema político e econômico: proteger o consumidor no curto prazo sem sacrificar investimentos de longo prazo que aumentem a segurança energética.