O consumo das famílias cresceu 1,0% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, informou o IBGE na divulgação das Contas Nacionais Trimestrais nesta sexta-feira (29). Na comparação anual, com o primeiro trimestre de 2025, o avanço foi de 1,7%. Os números confirmam uma recuperação, porém de ritmo contido, da demanda interna.
Ao mesmo tempo, o consumo do governo subiu 0,4% ante o quarto trimestre de 2025 e registrou alta de 2,8% na comparação anual — alcançando um patamar recorde para o período, segundo o IBGE. A combinação entre crescimento modesto do consumo privado e aceleração do gasto público chama atenção: enquanto as famílias ainda não apresentam uma retomada vigorosa, o aumento dos gastos estatais amplia pressões sobre as contas públicas.
Do ponto de vista fiscal, a repetição de níveis elevados de gasto do governo reduz o espaço de manobra para políticas anticíclicas e torna mais sensível qualquer revisão nas metas orçamentárias. Economistas e gestores que acompanham as cifras terão de avaliar se o incremento do consumo público é temporário ou indica tendência que exige correção de rumo para preservar a credibilidade fiscal.
Para a atividade econômica, o quadro é ambíguo: o consumo das famílias sustenta parte da demanda, mas a velocidade de crescimento ainda é insuficiente para impulsionar uma retomada robusta sem estímulos adicionais. Já o gasto público mais alto pode dar suporte de curto prazo à economia, mas a conta pode pesar no médio prazo se não vier acompanhado de ganhos em produtividade ou receita sustentável.