A Natura informou que controladores da companhia convocaram duas assembleias para agosto com dois objetivos claros: aprovar a dispensa da Oferta Pública de Aquisição (OPA) e votar a eleição de dois conselheiros adicionais para o mandato em curso. O pedido foi apresentado por acionistas que somam 38,82% do capital, entre eles os fundadores, segundo fato relevante.

O movimento é descrito pela própria companhia como parte de um compromisso vinculante firmado entre esse bloco e o fundo Lotus, gerido pela Advent, que detém cerca de 8% do capital. Na prática, a manobra amplia o poder de decisão do grupo articulado sem passar pela via da OPA, o que tende a despertar atenção de minoritários e de analistas sobre transparência e equilíbrio de forças no conselho.

Do ponto de vista de governança, a entrada de dois conselheiros a serviço do acordo altera a composição deliberativa da empresa e pode acelerar decisões estratégicas alinhadas ao bloco controlador e ao investidor financeiro. A operação não inventa direitos — mas levanta dúvidas sobre como serão preservados os interesses de acionistas que não participaram do acordo e sobre a comunicação da companhia ao mercado.

As assembleias devem ser convocadas até 7 de agosto e realizadas em até 30 dias após a convocação. Investidores, analistas e representantes de minoritários acompanharão o desfecho das votações, a posição da administração e eventuais impugnações ou pedidos de esclarecimento, que definirão se o episódio fica restrito a um rearranjo interno ou repercute mais amplamente no preço e na percepção do mercado.