O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que passa para 14% ao ano, decisão amplamente precificada pelos agentes. No comunicado divulgado nesta quarta-feira, a autoridade monetária justificou a redução em um contexto de desaceleração gradual da atividade, mas sublinhou o aumento da incerteza por fatores externos e domésticos.

O BC mencionou explicitamente os efeitos do El Niño sobre a produção agrícola, a influência dos choques no preço do petróleo em razão dos conflitos no Oriente Médio e o impacto da política fiscal sobre ativos e expectativas. O texto evita indicar o tamanho do movimento seguinte e afirma que “a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações”, reforçando tom de cautela.

No plano doméstico, o Copom registra sinais mistos: inflação cheia desacelerou, mas segue acima do teto da meta; medidas subjacentes recuaram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior. As expectativas do mercado (Focus) para 2026 e 2027 permanecem acima da meta, em 5,0% e 4,2%, e a projeção do Copom para o primeiro trimestre de 2028 é de 3,2%, no cenário de referência.

A decisão sinaliza uma calibragem gradual da política monetária, mas também acende alerta sobre a necessidade de disciplina fiscal. O comunicado deixa claro que uma piora no quadro fiscal ou choques de oferta — especialmente relacionados a petróleo e clima — podem desancorar expectativas e exigir restrição adicional no futuro. Em suma: o corte era esperado, mas não elimina riscos que podem complicar a trajetória da inflação e forçar nova resposta do Copom.