Brasília, DF – O Comitê de Política Monetária (Copom) entra na reunião desta quarta-feira (4) com expectativa majoritária de manter a Selic em 13,75% ao ano, encerrando temporariamente o ciclo de cortes que vinha sendo projetado pelo mercado.

Até pouco antes da eleição, o Boletim Focus apontava Selic em 13,25% no fim de 2026, com dois cortes de 0,25 ponto previstos para novembro e dezembro. A pesquisa divulgada em 26 de outubro reunia respostas até 23 de outubro; após o segundo turno, a hipótese de manutenção ganhou força.

Os preços registrados no fechamento de 26 de outubro nas apostas do mercado pela B3 indicavam 63,1% de probabilidade implícita de manutenção. Relatórios de 30 de outubro de Itaú e Goldman Sachs também destacam fatores externos e financeiros mais desfavoráveis, como pressões do petróleo e condições financeiras mais restritivas.

O Goldman Sachs ressalta que compromissos fiscais anunciados na campanha pioraram a leitura sobre as contas públicas, com impacto potencial sobre demanda, câmbio e expectativas de inflação. No plano doméstico, a desaceleração da atividade convive com mercado de trabalho resistente e inflação de serviços ainda pressionada.

Analistas divergem sobre o próximo passo: Camilo Cavalcanti (Oby Capital) e vários players esperam manutenção em novembro e dezembro; Evandro Xavier (be.smart) projeta retomada dos cortes apenas entre o segundo e o terceiro trimestre de 2027, com Selic em 13% ao fim de 2027. O Itaú trabalha com fim do ciclo de cortes, enquanto o Goldman dá 30% de chance a um corte de 0,25 ponto nesta reunião. O comunicado do Copom será observado para sinais sobre as condições necessárias à volta do afrouxamento.