O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, em votação unânime divulgada nesta quarta-feira. O movimento já havia sido precificado pelo mercado diante da piora das expectativas de inflação provocada pelo conflito no Oriente Médio nas últimas semanas.
No comunicado que acompanhou a decisão, o Comitê ressaltou a necessidade de agir com prudência e acompanhar cuidadosamente as informações que chegarem antes de novos cortes. O texto aponta que a incerteza externa elevou a volatilidade dos preços de ativos e das commodities, exigindo cautela de países emergentes; internamente, a atividade mostra sinais de moderação, ao passo que o mercado de trabalho segue relativamente resiliente e medidas subjacentes de inflação aceleraram.
O Copom registrou que a pesquisa Focus projeta inflação de 4,9% para 2026 e 4,0% para 2027, enquanto sua projeção para o quarto trimestre de 2027 é de 3,5% no cenário de referência. Entre os riscos para cima estão a desancoragem das expectativas, uma inflação de serviços mais persistente e uma taxa de câmbio sustentadamente mais depreciada. Entre os riscos para baixo estão uma desaceleração doméstica mais forte, uma recessão global mais pronunciada e queda nos preços de commodities.
Na prática, o corte abre um início de afrouxamento monetário, mas dentro de um quadro de sinalização restrita: os próximos movimentos dependerão de queda consistente da inflação e de menor incerteza externa. A nota também reforça que a política fiscal continua a ser variável crítica; sem disciplina nas contas públicas, qualquer alívio nos juros pode ser temporário e reabrir pressões inflacionárias, elevando o custo político e econômico para o governo.