O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando-a para 14% ao ano. A votação foi unânime e marcou a quarta redução seguida no ciclo de afrouxamento iniciado em março, quando a taxa caiu de 15% para 14,75%.

No comunicado, a autoridade monetária reiterou que a magnitude total do ciclo será calibrada a partir de novas informações e reforçou que os riscos para a inflação permanecem acima do usual, com assimetria de alta. Entre as fontes de risco mencionadas estão o El Niño, a alta do petróleo e potenciais choques na oferta de energia, além do papel de estímulos à demanda.

O mercado já repercutiu a sinalização: contratos negociados na B3 passaram a ver chance de mais um corte na reunião dos dias 15 e 16 de setembro, movimento que ganhou força após a divulgação do IPCA‑15 de julho (alta de 0,06% no mês e 4,52% em 12 meses). A estabilidade relativa do câmbio — em torno de R$ 5,10 — e a projeção de crescimento mais fraco (com o Focus apontando 1,57% para o PIB de 2026) ajudam a formar a leitura de espaço para juros menos restritivos.

Do ponto de vista econômico e fiscal, cortes graduais da Selic aliviam custos do crédito e tendem a dar algum suporte à atividade, mas dependem de acomodação duradoura da inflação. O Copom deixou claro que qualquer avanço adicional estará condicionado a dados futuros e à evolução da política fiscal: em um cenário de maior incerteza, a autoridade opta por serenidade e cautela na condução da política monetária.