O Banco Central informou nesta terça-feira (28) que o diretor de Administração, Rodrigo Alves Teixeira, não participará, de forma excepcional, da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorre entre terça e quarta-feira (28-29). A ausência decorre do falecimento de um parente em primeiro grau. Com isso, a decisão sobre a taxa de juros contará com seis votos — três a menos em relação à composição normal de nove integrantes.
A redução no número de votantes acontece num momento em que o colegiado já operava com baixas: as vagas deixadas por Diogo Guillen, ex-diretor de Política Econômica, e por Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, permanecem abertas. Enquanto as nomeações não ocorrem, os diretores Paulo Picchetti (Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos) e Gilneu Vivan (Regulação) acumulam atribuições.
Do ponto de vista institucional, o episódio concentra decisões e diminui a diversidade de posições que normalmente alimentam o debate técnico no Copom. Ainda que não implique, por si só, mudança de rumo na política monetária, a composição reduzida pode afetar a dinâmica das discussões e a margem para dissensos e alternativas internas.
A situação também lança luz sobre a necessidade de recompor rapidamente o quadro diretivo do BC para evitar fragilidades procedimentais e sinalizações indesejadas ao mercado. A percepção de um colegiado com menos vozes somada à continuidade de acúmulo de funções tende a aumentar a pressão política por nomeações célere e transparentes.