O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14% ao ano. A decisão, tomada de forma unânime, veio acompanhada de um comunicado que, segundo a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, revela uma leitura mais favorável da trajetória recente de preços, inclusive das medidas subjacentes de inflação.

Para Rafaela Vitória, a menção explícita à desaceleração nas medidas de inflação dá margem para novos ajustes: ela considera provável um corte adicional já em setembro. A avaliação sinaliza confiança do Banco Central em uma redução sustentada da pressão inflacionária, o que justificaria a continuidade do processo de afrouxamento.

Mesmo assim, a economista lembra que o ciclo de afrouxamento foi mais lento e menor do que alguns agentes esperavam no início do ano — quando se cogitavam quedas de 50 a 75 pontos-base — em grande parte por conta do maior estímulo fiscal observado. Além disso, o aperto prolongado da política monetária deixa efeitos reais: desaceleração do crédito, aumento da inadimplência, processos de recuperação judicial e elevado endividamento das famílias.

O diagnóstico abre um dilema político-econômico para o próximo governo: manter espaço para expansão de gastos tende a postergar cortes mais rápidos na Selic; um ajuste fiscal, ao contrário, poderia acelerar o processo de normalização dos juros. O recado do Copom e das avaliações do mercado é, portanto, claro: a trajetória dos juros continuará muito dependente da combinação entre política fiscal e dinâmica dos preços.