O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, informou que a estatal segue em negociação com bancos para captar uma nova operação de crédito, dentro da autorização do Conselho Monetário Nacional para até R$ 8 bilhões. Rondon, porém, já sinalizou que não pretende contratar o montante integral, porque medidas de recomposição financeira recentes deram algum fôlego à liquidez da empresa.
A estatal já havia captado R$ 12 bilhões junto a um pool de bancos no fim de 2025 — recursos que serviram para normalizar fluxo de caixa, quitar atrasos e recuperar relacionamento com fornecedores e empregados. Ambas as operações contam com garantia da União, o que transforma parte do risco dos Correios em passivo contingente do Tesouro Nacional.
No front estrutural, os Correios avançam com leilões de imóveis sem uso operacional, que devem gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias, e reabriram o PDV em janeiro. A adesão ao programa ficou muito abaixo da expectativa inicial de 10 mil desligamentos: 3.181 empregados aderiram, o que pode alongar o cronograma de redução de custos com pessoal.
A combinação de novos empréstimos garantidos pela União, vendas de ativos e custos de transição revela que a reestruturação ainda depende de suporte público e ajustes operacionais. A possibilidade de contratar menos do que os R$ 8 bilhões autorizados reduz o impacto imediato sobre o Tesouro, mas a dependência de garantias e a adesão limitada ao PDV mantêm o tema sob vigilância fiscal e política.