Os Correios fecharam parceria com a Serasa para receber consumidores interessados em renegociar dívidas pelo Novo Desenrola Brasil. A estatal disponibilizará cerca de 10 mil agências pelo país como postos oficiais de atendimento presencial, opção apontada como importante para públicos que preferem atendimento face a face, especialmente idosos. A Serasa informa que 50,8% da população adulta está endividada.

A iniciativa repete formato já usado quando os Correios serviram como ponto de apoio a aposentados e pensionistas do INSS que questionavam descontos indevidos. No Planalto, interlocutores avaliam que a ação ajuda a demonstrar a “importância” da estatal junto à população — uma meta com claro viés político, diante da crise financeira que a empresa enfrenta.

O gesto público, porém, acende alerta sobre o papel e o custo da estatal: em 2025 os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões, o quarto resultado negativo consecutivo desde o recorde de lucro de R$ 3,7 bilhões em 2021. Usar a rede de agências para serviços sociais pode reduzir desgaste político no curto prazo, mas não resolve questões estruturais de eficiência, gestão e sustentabilidade financeira.

Do ponto de vista econômico e administrativo, a operação é útil para ampliar acesso à renegociação, mas também expõe a necessidade de uma estratégia clara de recuperação. Sem medidas que enfrentem o rombo financeiro e modernizem a operação, a mobilização das agências tende a ser vista como paliativa — útil para a população, simbólica para o governo, insuficiente para encarar a persistente crise dos Correios.