Os Correios começaram nos últimos dias negociações com bancos públicos e privados para contratar um novo empréstimo na ordem de R$ 7 bilhões, segundo fontes da estatal. O montante já estava previsto no plano de reestruturação: em fevereiro o CMN autorizou financiamento de até R$ 8 bilhões com garantia do Tesouro Nacional, e a expectativa é que a operação fique em cerca de R$ 1 bilhão a menos do que o teto aprovado.
O novo crédito deve seguir os moldes da linha obtida no ano passado, com carência mínima de três anos e prazo de amortização que pode chegar a 15 anos. Diversas instituições financeiras foram consultadas para compor um pool de bancos. Interlocutores do Ministério da Fazenda e da própria estatal receberam com alívio a projeção menor do que o limite autorizado, ao menos no curto prazo.
A necessidade do empréstimo decorre do quadro financeiro: em 2025 os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões — o quarto resultado negativo consecutivo desde 2021, ano em que a empresa teve lucro recorde de R$ 3,7 bilhões. A empresa aponta medidas de recomposição, como programa de demissão voluntária (PDV) e cortes de mão de obra e hora extra que devem gerar mais de R$ 100 milhões em economia e, segundo o comando da estatal, deram “fôlego de liquidez”.
Economicamente, a operação alivia o caixa, mas transfere risco ao contribuinte ao contar com garantia do Tesouro. No plano político e fiscal, repetições de socorro via crédito público aumentam a pressão por resultados concretos: sem reformas estruturais e ganho de eficiência, a estatal tende a depender novamente de instrumentos que oneram as contas públicas. Para o governo, o desafio é converter o fôlego financeiro em mudança sustentável sem ampliar o custo fiscal.