A adesão aquém do esperado ao PDV dos Correios abriu nova frente de trabalho para a direção da estatal. A expectativa inicial era de 10 mil desligamentos; somente 3.181 empregados pediram saída voluntária, cerca de 31% do público‑alvo, reduzindo em aproximadamente 40% a economia projetada com o programa.

O plano de demissão integra a meta de redução da rigidez de custos: a estatal estima que o PDV, em sua projeção plena a partir de 2028, poderia gerar economia anual de R$ 2,1 bilhões. No pacote mais recente, o PDV 2024/2025 registrou 3.756 desligamentos e gerou R$ 147,1 milhões em economia em 2025; para este ano a projeção é de R$ 775,7 milhões.

O PDV foi aprovado dentro do Plano de Reestruturação anunciado após o resultado deficitário de R$ 8,5 bilhões em 2025. A primeira fase buscou restaurar fluxo financeiro e credibilidade: os Correios captaram R$ 12 bilhões em crédito para normalizar pagamentos e obrigações atrasadas, garantindo liquidez imediata.

Com a adesão menor do que o previsto, a estatal admite estudar ações complementares para atingir as metas de corte de custos. Entre as medidas já em curso estão leilões de imóveis sem uso operacional, que devem gerar cerca de R$ 1,5 bilhão em receitas extraordinárias e reduzir despesas de manutenção.

O resultado do PDV expõe o desafio estrutural enfrentado pelos Correios: sem a economia esperada, a empresa terá de conciliar a dependência de crédito de curto prazo com a necessidade de reduzir gastos fixos. A baixa adesão complica o reequilíbrio e aumenta a pressão sobre a gestão para apresentar medidas adicionais e justificar o plano diante de reguladores e do mercado.