Os Correios fecharam 2025 com um prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado no ano anterior. A receita bruta da estatal caiu 11%, para R$ 17,3 bilhões, e o patrimônio líquido piorou para um déficit de R$ 13,1 bilhões. A empresa atribui o rombo ao provisionamento de obrigações judiciais e ao aumento de custos operacionais, segundo exposição feita pelo presidente Emmanoel Rondon durante os 100 dias do plano de reestruturação.

O Plano de Reestruturação, aprovado em novembro, entrou em sua primeira fase com foco na reorganização do fluxo de caixa e na regularização de pendências com fornecedores e terceirizados. Até setembro a estatal já reportara patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões — cenário que motivou a captação de R$ 12 bilhões em crédito junto a um pool de bancos para garantir liquidez imediata e quitar atrasos.

Entre as medidas estruturais estão a venda de imóveis sem uso operacional, com expectativa de receitas extraordinárias de cerca de R$ 1,5 bilhão, e a reabertura do Programa de Demissão Voluntária. A adesão ao PDV ficou em 3.075 empregados — 30,7% do alvo inicial de 10 mil — com projeção de economia de aproximadamente R$ 1,4 bilhão já em 2027. O plano prevê ainda renegociação de passivos, reequilíbrio do plano de saúde e fechamento de 16% das agências, buscando reduzir despesas em cerca de R$ 5 bilhões até 2028.

Os números revelam que parte do ajuste depende de medidas pontuais e da execução das etapas previstas. A queda na receita e a menor adesão ao PDV limitam a capacidade de corrigir rapidamente o déficit estrutural. Politicamente, o resultado amplia o desafio para a gestão da estatal — que precisa demonstrar, além de liquidez temporária, um caminho sustentável para reduzir custos sem comprometer a prestação de serviços essenciais e a credibilidade com fornecedores e clientes.