Corretoras de criptomoedas transformaram a expectativa em torno da IPO da SpaceX em um lucrativo produto financeiro: os contratos perpétuos pré-IPO — “perps” — cujo preço é referenciado pela última avaliação da empresa em vez de ações efetivas. Em poucas semanas, esses derivativos atraíram volumes bilionários, oferecendo ao público acesso a apostas sobre o preço futuro sem o mesmo grau de proteção de títulos negociados em bolsa.
Dados compilados por provedores do setor mostram cerca de US$ 3,2 bilhões em volume e US$ 390 milhões em posições em aberto entre 17 de maio e a última quarta-feira, envolvendo múltiplas plataformas. A Binance afirmou ter registrado US$ 2,1 bilhões em 18 dias. Enquanto o mercado cripto já usa perps para ativos digitais com alavancagem extrema, os contratos pré-IPO lançados recentemente costumam limitar a alavancagem a 3x–5x, embora os riscos de volatilidade e baixa liquidez permaneçam elevados.
As corretoras lucram com spread, criação de mercado e taxas, e defensores tratam os perps como ferramenta de descoberta de preço. Críticos, porém, lembram que esses contratos não representam participação acionária ou tokenização com lastro; são essencialmente apostas. O preço desses instrumentos já caiu de acima de US$ 200 para cerca de US$ 160 em menos de um mês, enquanto a eventual cotação projetada para as ações da SpaceX vem sendo estimada em torno de US$ 135, segundo dados de mercado.
Além do risco ao investidor, a difusão dos perps pré-IPO adiciona tensão entre o mercado cripto e as bolsas tradicionais, que podem ver sua relevância pressionada caso produtos semelhantes se popularizem. A Federação Mundial de Bolsas chamou atenção para potenciais falhas na formação de preço e na percepção de proteção por parte de compradores. O episódio ressalta uma necessidade clara: regulamentação mais precisa e transparência sobre como esses instrumentos são precificados e vendidos antes que o frenesi amplifique perdas e contamine mercados estabelecidos.