A CPFL Energia registrou lucro líquido consolidado de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre, alta de 18,2% na comparação anual. Em entrevista, o CEO Gustavo Estrella deixou claro que parte relevante do avanço decorreu de dois efeitos pontuais: reconhecimento de créditos tributários e uma captação de R$4,4 bilhões a custo inferior à média, cujo impacto veio pela marcação a mercado.

O Ebitda da companhia permaneceu estável em cerca de R$3,8 bilhões, mesmo com queda de 7,8% na energia faturada para consumidores cativos. A direção atribui o recuo a temperaturas mais baixas no trimestre; ao mesmo tempo, a demanda na área de concessão cresceu 4,5%, em boa parte por contratações antecipadas de clientes que projetam maior consumo futuro. A migração ao mercado livre segue restrita ao grupo A, com abertura total prevista entre o fim de 2027 e início de 2028 — um potencial fator de pressão sobre receitas a médio prazo.

A renovação por 30 anos das concessões trouxe previsibilidade: foram anunciados R$130 bilhões de investimentos para todas as companhias envolvidas, dos quais R$23,6 bilhões cabem ao Grupo CPFL nos próximos cinco anos. Para financiar esse ciclo, a dívida subiu para pouco mais de R$30 bilhões, alta de 15,4% no ano, com alavancagem em 2,3 vezes. Estrella defende que há espaço frente ao covenant de 3,75 vezes, mas o aumento do endividamento exige acompanhamento rigoroso da execução dos investimentos e da manutenção do pagamento de dividendos.

No campo operacional, a geração eólica caiu 12,3% no trimestre, afetada por ventos mais fracos e por curtailment — problema que a Lei 15.269 avança a tratar, ainda que dependa de regulamentação. A expansão da geração distribuída, já em 50 GW instalados, aumenta a intermitência do sistema. Em contrapartida, segmentos como data centers mostram demanda ascendente (24% no interior paulista). Em suma, o balanço traz melhora contida: há espaço para crescimento, mas prevalecem riscos regulatórios, operacionais e de execução do ambicioso programa de investimentos.