A fintech Creditas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 76 milhões, piora de 10,1% na comparação anual, segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira. Na leitura mais favorável, a empresa mostrou avanço de 47% em relação ao trimestre anterior, refletindo recuperação operacional no curto prazo.

O desempenho operacional conviveu com sinais positivos: a receita somou R$ 633 milhões (alta de 23,1% em 12 meses) e o lucro bruto atingiu recorde de R$ 253,5 milhões, crescimento de 24,1% no ano. A carteira de crédito alcançou R$ 7,6 bilhões, com originação recorde de R$ 1,1 bilhão — impulsionada por produtos com garantia de imóvel e veículo.

A perda operacional foi de R$ 34,9 milhões ao fim de março, ante R$ 80,9 milhões no quarto trimestre de 2025. A companhia afirma gerar caixa desde 2023 e projeta lucro operacional na segunda metade do ano. A administração também cita agenda de eficiência: despesas operacionais estáveis em R$ 288,4 milhões e uso crescente de inteligência artificial em cobranças early stage.

Do ponto de vista de mercado, o balanço é contraditório: crescimento e alavancagem operacional coexistem com prejuízo persistente e exposição a uma Selic 'mais alta do que gostariam', nas palavras da direção. A aposta em reprecificação e IA pode reduzir custos e mitigar risco de crédito, mas a execução será decisiva — falhas atrasariam a volta ao lucro e fariam pesar a avaliação e o custo de capital da empresa.