O relatório econômico regional do Banco Mundial divulgado em outubro coloca o Paraguai no topo do crescimento latino‑americano para 2026: expansão prevista de 4,7% do PIB, ante 2,1% projetado para o Brasil. O contraste chama atenção pelo ritmo e pela natureza desse desempenho, sustentado por melhoria da segurança, consolidação fiscal e fluxo de investimento privado.
Analistas consultados pela mídia internacional atribuem o salto paraguaio a um ambiente tributário desenhado para a produção voltada à exportação — a chamada Lei de Maquila — e a um arcabouço regulatório mais previsível. O regime, em vigor há décadas, oferece redução de encargos e incentivos que têm atraído montagem industrial e maior competitividade de custo para empresas que buscam mercados externos.
Além da atração fiscal, o Paraguai vem estruturando mapas industriais, zonas produtivas e capacitação técnica para suprir limitações históricas em infraestrutura e mão de obra especializada. A integração logística ganha impulso com a iminente conclusão da Rota Bioceânica, obra que deve reduzir até 17 dias no transporte e cortar custos logísticos em cerca de 40%, segundo estimativas trazidas na cobertura.
O avanço do vizinho tem efeito duplo sobre o Brasil: gera oportunidades de integração de cadeias e ganhos de escala para exportadores brasileiros, mas também acende alerta sobre perda de competitividade em etapas intensivas em tributos e logística. Especialistas observam que empresas ampliam operações no Paraguai sem, necessariamente, abandonar o Brasil — um sinal de que a opção é por complementaridade produtiva, mas também de pressão por modernização do ambiente de negócios aqui dentro.
Do ponto de vista político e econômico, o desempenho paraguaio complica a narrativa de conforto com o status quo. A maior competitividade do vizinho amplia a pressão sobre o governo brasileiro para acelerar reformas tributárias, melhorar infraestrutura logística e investir em qualificação. Sem respostas claras nesses frente, o país corre o risco de ver parcela crescente de atividade industrial e atração de investimentos migrar para rotas e regimes fiscais mais favoráveis na região.