A indústria brasileira paga, segundo a Sondagem Especial Brasil Legal da CNI, um preço anual de R$ 107 bilhões por conta do mercado ilegal e de atos criminosos. O levantamento, com 1.398 empresas de 32 setores e aplicado em novembro, separa o impacto em R$ 39 bilhões de perdas líquidas de vendas e R$ 68,5 bilhões em custos de prevenção — equivalente a 1,1% da receita líquida do setor.

Mais de um terço das empresas foram afetadas por ilícitos; 31% relatam prejuízo nas atividades, índice mais elevado entre médias (32%) e grandes (33%) do que entre pequenas (25%). Na métrica de impacto médio, pequenas sofrem 0,6% da receita anual, médias 0,8% e grandes 0,4%, o que revela maior vulnerabilidade relativa de empresas de menor porte.

O estudo também chama atenção para a insuficiência de investimentos em segurança digital: cerca de 77,1% das empresas destinam 1% ou menos do orçamento a cibersegurança, apesar da sofisticação crescente das ameaças. Entre as modalidades de crime, o roubo de carga atinge 32% das grandes indústrias; no Rio de Janeiro, estimativas da Firjan apontaram R$ 314 milhões em prejuízos e média de oito caminhões atacados por dia.

Na avaliação dos empresários, as respostas públicas precisam avançar: 77% indicam aumento da fiscalização como medida prioritária, 46% citam inteligência e 36% defendem endurecimento legislativo. A prioridade para reforço recai sobre polícias estaduais (41%), Polícia Federal (38%) e Receita Federal (36%). O quadro expõe um custo oculto à competitividade e pressiona o debate sobre alocação de recursos em segurança pública e proteção logística, além de exigir reformulação da estratégia de ciberdefesa do setor.