A crise do Ueno Bank ameaça consumir mais da metade dos recursos do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) do Paraguai. Balanços oficiais de setembro de 2026 mostram depósitos garantidos do Ueno equivalentes a 5,08 trilhões de guaranis — cerca de 53% dos 9,54 trilhões que o fundo tinha em carteira naquele mês.

O pagamento das garantias começou em etapas: a primeira leva, lançada nesta quinta-feira (5), contempla clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem pendências com o banco e com conta em outra instituição. A cobertura por depositante alcança 228,3 milhões de guaranis (75 salários mínimos), o que representa aproximadamente R$ 203 mil.

Embora 97% dos correntistas do Ueno tenham direito à recuperação integral, em termos de valor apenas 30% dos depósitos do banco ficam dentro do limite garantido. A diferença decorre da concentração de recursos em contas com saldos superiores ao teto legal; quantias acima do limite não têm ressarcimento assegurado e dependem da resolução.

O FGD é administrado pelo Banco Central do Paraguai — diferentemente do modelo brasileiro do FGC — e foi criado em 2003 com aporte inicial do governo de US$ 50 milhões, além de contribuições obrigatórias das instituições financeiras (0,12% dos depósitos médios por trimestre). Se os recursos se mostrarem insuficientes, a legislação prevê mecanismos de financiamento público e novas contribuições do setor.

Agências de risco, como a Moody's, avaliam que a resolução do Ueno será um teste relevante para o sistema financeiro paraguaio. Embora o risco de contágio a outros bancos seja considerado administrável, empresas e grandes depositantes podem enfrentar atrasos ou perdas, com possíveis repercussões sobre a atividade econômica. O regulador também aprovou norma que permite depositar os recursos diretamente em contas em outros bancos e abrir contas automaticamente para quem não tiver vínculo.