Os juros futuros médios e longos subiam na manhã desta segunda-feira (20), aumentando a inclinação da curva de juros em reação ao noticiário sobre os conflitos entre Estados Unidos e Irã. O petróleo chegou a cair mais de 2% com relatos sobre possibilidade de trégua, mas os preços perderam direção pouco depois das 9h, quando os houthis anunciaram imposição de "proibição de navegação marítima" à Arábia Saudita. Os rendimentos dos Treasuries também ganharam força, repercutindo nos mercados globais.

No Brasil, a mediana do Boletim Focus para o IPCA de 2028 avançou de 3,70% para 3,78%, já no horizonte de decisão do Banco Central. Às 9h10, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava na mínima de 13,955% (ante 13,960% no ajuste anterior). O DI para janeiro de 2029 subia a 14,375% (de 14,338%) e o para janeiro de 2031 avançava a 14,575% (de 14,527% no ajuste de sexta-feira, 17).

A inclinação maior da curva reflete prêmio por prazo num ambiente de maior incerteza externa e leituras de inflação levemente mais elevadas no médio prazo. Esse movimento eleva o custo de financiamento de longo prazo, pressiona as expectativas sobre a trajetória de juros reais e complica a sinalização do BC, que já tem o horizonte de 2028 no radar.

Para investidores e para a própria política fiscal, a combinação de volatilidade internacional e ajuste de expectativas inflacionárias aumenta o risco de alta dos juros longos, com impacto em custos da dívida e decisões de investimento. O mercado agora acompanha de perto a evolução do conflito e os próximos relatórios de inflação para calibrar preço e posição.