Um relatório da Fundação Dom Cabral, destacado pelo diretor do Núcleo de Inovação Hugo Tadeu, coloca o custo de capital como um dos principais entraves ao crescimento de empresas brasileiras. Os dados compilados pela instituição mostram convergência entre fontes oficiais e informações do setor produtivo: a piora no custo de se financiar projetos tem reduzido a capacidade de expansão de indústrias e de empresas nascentes.
O documento também chama a atenção para a formação bruta de capital fixo, indicador-chave para medir a aquisição de bens de capital e a reposição de máquinas. Na prática, empresas que desejam aumentar capacidade produtiva ou inovar encontram um ambiente menos propício — não por falta de vontade, mas por custo e incerteza que tornam o retorno sobre o investimento menos atraente.
O reflexo mais imediato já aparece no ranking internacional de competitividade: o Brasil recuou para a 65ª posição em 2026, segundo a avaliação citada no relatório. Essa posição revela perda relativa de atratividade frente a rivais, com impacto direto sobre emprego, produtividade e arrecadação no médio prazo, caso não haja ajuste do ambiente de investimento.
A leitura política é clara: além de sinalizar um problema técnico, os números exigem resposta coordenada do governo e do mercado. Medidas que reduzam o custo do capital, aumentem previsibilidade regulatória e estimulem a formação de capital fixo aparecem como condições mínimas para reconquistar espaço competitivo. Sem essas correções, a recuperação do investimento segue comprometida.