A CVC Corp anunciou nesta sexta-feira uma operação de renegociação que envolve aproximadamente R$400 milhões em dívida. A proposta reduz o custo financeiro das debêntures — o spread passa de CDI+4,5% para CDI+3,9% — e desloca os vencimentos que estavam concentrados em outubro de 2026 e abril de 2027 para março e setembro de 2029.

A companhia informou ter recebido manifestações de intenção de adesão de cerca de R$200 milhões às novas condições. No curto prazo a mudança tem efeito prático: a CVC estima cerca de R$115 milhões em pagamentos previstos para outubro, que incluem aproximadamente R$80 milhões de principal e R$35 milhões de juros. Para os debenturistas que aceitarem a proposta, os juros serão incorporados ao principal e haverá amortização de 75% do valor original, reduzindo o desembolso no quarto trimestre.

Em abril de 2027 a previsão de desembolso cairia de aproximadamente R$110 milhões nas condições anteriores para cerca de R$25 milhões. Considerados os efeitos projetados para os próximos 12 meses, a empresa calcula uma redução de cerca de R$110 milhões nas saídas de caixa. Ao mesmo tempo, as garantias vinculadas à operação sobem de R$72 milhões para cerca de R$130 milhões.

Do ponto de vista financeiro, a operação dá fôlego imediato ao caixa e sinaliza negociação com credores — um indicador de certa confiança do mercado. A contrapartida é que a capitalização de juros e o alongamento elevam o estoque de dívida futuro e dependem da adesão suficiente dos debenturistas. Se a intenção de cerca de R$200 milhões não se transformar em adesões efetivas, o alívio prometido ficará mais limitado e a empresa manterá exposição a riscos de liquidez em prazos intermediários.