A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou mudanças na chefia de ao menos duas superintendências e uma revisão profunda de procedimentos depois das apurações referentes ao caso Master. O movimento, que passou por um pente-fino interno, identificou 314 processos instaurados desde 2017 e motivou substituições na Superintendência‑geral e na Superintendência de Supervisão de Investidores Institucionais.

As trocas atingem áreas comandadas por Alexandre Pinheiro dos Santos e por Marco Antônio Velloso de Sousa. Fontes ouvidas indicam que a ligação entre o caso Master e as substituições é indireta: não há, segundo essas fontes, sinal claro de erro operacional que justifique responsabilizações, mas houve identificação de lacunas que exigem reforço de fiscalização e revisão de procedimentos.

Houve necessidade de reforço na fiscalização e de ajustes processuais após a revisão dos casos relacionados a Master e Reag.

O grupo de trabalho instituído pela autarquia analisou 314 processos e constatou aumento do volume a partir de 2025, quando 131 procedimentos foram abertos, em paralelo ao crescimento dos grupos Master e Reag. As categorias mais recorrentes são falhas na divulgação ou prestação de informações obrigatórias, seguidas por problemas de conformidade e controles internos. Ao todo foram registrados 14 termos de acusação que vão de omissão informacional a operações com sobrevalorização de ativos e possíveis manipulações.

As decisões foram encaminhadas durante a presidência interina de João Accioly, no rastro da renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento em julho. Otto Lobo assumiu por liderança de tempo de mandato e foi indicado em janeiro para seguir como presidente, mas depende de chancela do Senado. A combinação de mudanças internas e de liderança interina revela um momento de tensão institucional: a autarquia busca mostrar resposta técnica, enquanto se expõe a pressões políticas e ao escrutínio dos mercados.

A avaliação preliminar da CVM aponta cinco eixos de aprimoramento institucional. Agora, o desafio é transformar diagnóstico em medidas concretas — maior agilidade em apurações, reforço de controles, padronização de exigências de divulgação e transparência no processo decisório. O mercado e os investidores vão acompanhar se as mudanças na chefia serão acompanhadas por ação efetiva que recupere a confiança e reduza riscos sistêmicos.

A análise identificou oportunidades de aprimoramento institucional em cinco eixos, que agora precisam virar medidas concretas.