A CVS Health informou na quarta-feira (4) que vai se dividir em duas empresas, em uma das maiores reestruturações do setor. O grupo, avaliado em cerca de US$ 117 bilhões, será separado entre um braço de varejo — com as 9.000 farmácias, atendimento por correspondência e MinuteClinic — e outra empresa reunindo a Aetna, a gestora Caremark e negócios de atenção primária e saúde domiciliar.

A operação, que deve ser concluída no início de 2028, reverte décadas de integração iniciada em 2007 com a fusão da CVS e da Caremark e aprofundada em 2018 com a compra da Aetna por US$ 69 bilhões. A companhia disse que não prevê fechamento de lojas e que a divisão não mudará a forma como pacientes pagam por remédios.

“Estamos basicamente pegando o que acredito ser uma grande empresa e transformando-a em duas", disse o CEO da CVS, David Joyner, em comunicado na quarta-feira.

Executivos destacaram que as unidades já funcionam de modo distinto nos bastidores — as gestoras de benefícios negociam preços com fabricantes, enquanto as farmácias atuam no varejo — e que a separação visa criar estruturas independentes com foco distinto. Os acionistas receberão ações de ambas as empresas em operação isenta de impostos.

A decisão ocorre em meio a pressão regulatória e crítica de defensores do consumidor e legisladores contra a concentração do setor, além de competição crescente de novos entrantes e do comércio eletrônico, onde a CVS perde para players como a Amazon. Na bolsa, as ações da CVS chegaram a subir no pré-mercado, mas caíram 12% durante o pregão do meio-dia.

Analistas avaliaram o movimento como surpreendente para a indústria. Michael Cherny, da Leerink Partners, chamou a notícia de “um choque completo” e sugeriu que a unidade de varejo pode ter perspectivas melhores como empresa independente. O CEO David Joyner ficará à frente da nova CVS Health.

Cherny, que classificou a notícia como "um choque completo", escreveu que o negócio de farmácias da CVS tem apresentado bom desempenho.