Dados pessoais de brasileiros já circulam e são comercializados na dark web, segundo pesquisa da NordVPN divulgada em abril de 2026. O levantamento, com amostra global feita pela Cint entre 1º e 17 de abril e 1.003 entrevistados no Brasil, quantifica preços e revela um contraste entre a preocupação pública e o interesse dos criminosos.
Os números mostram que cartões roubados têm preço mediano de cerca de US$ 13 (aprox. R$ 67) e um “fullz” — conjunto completo de dados pessoais — chega a US$ 40 (R$ 208). Acessos a perfis cotidianos também têm demanda: Telegram por volta de US$ 12 (R$ 62), TikTok por US$ 60 (R$ 312) e perfis de streaming, como Netflix, por menos de US$ 5 (R$ 26). Em compensação, contas financeiras comprometidas, como Wise e Revolut, atingem medianas muito maiores: US$ 899 (R$ 4.672) e mais de US$ 1.700 (R$ 8.840), respectivamente.
O estudo destaca um paradoxo: embora muitos brasileiros declarem temer pela exposição de dados sensíveis, criminosos miram sobretudo perfis usados no dia a dia, que permitem golpes de engenharia social e invasões com baixo custo. O comportamento local aumenta a vulnerabilidade: 51% dos entrevistados dizem já ter divulgado o CPF online e 21% já compartilharam dados bancários. Além disso, 21% se arrependeram após divulgar informação pessoal e 33% afirmam não conseguir imaginar um dia sem conexão.
As implicações são práticas e políticas. Preços baixos para credenciais de uso cotidiano reduzem a barreira à fraude e elevam custos para consumidores, bancos e plataformas, além de criar risco reputacional para empresas. O levantamento abre espaço para questionamentos sobre a eficácia de medidas de proteção de dados e segurança digital — exigindo resposta mais firme de empresas, provedores e autoridades para mitigar perdas e recuperar confiança do usuário.