A Danone divulgou nesta quarta que as vendas do primeiro trimestre de 2026 somaram 6,708 bilhões de euros, alta de 2,7% em relação ao ano anterior, ligeiramente acima das expectativas do mercado (2,6%). A companhia reiterou a meta de crescimento anual de vendas de 3% a 5% e disse esperar que o lucro operacional recorrente cresça mais rápido que as vendas.
Apesar do resultado, o balanço veio marcado por um recall de fórmulas infantis na Europa e no Oriente Médio e por interrupções no fornecimento provocadas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. A Danone afirma que o negócio de fórmulas passará por uma “normalização” ao longo do ano, afirmação do diretor financeiro Juergen Esser que ainda não foi quantificada em números para o segundo trimestre.
Analistas destacaram pontos distintos: houve melhora no negócio de cremes para café nos EUA, que vinha fraco, e o grupo registrou aumento médio de preços de cerca de 1,2%, com crescimento de volume de 1,5% no trimestre. Mas consultorias como a Jefferies alertam para a exposição da Danone: cerca de 17% dos lucros vêm da fórmula vendida na China, parcela substancial frente a rivais como a Nestlé.
Do ponto de vista econômico e institucional, o episódio revela duas vulnerabilidades: dependência de mercados-chave (China) e sensibilidade das cadeias ao risco geopolítico. Para investidores e para a administração, o cenário significa que o ligeiro ‘beat’ do trimestre não elimina a necessidade de recuperar confiança do consumidor, proteger participação de mercado e demonstrar controle operacional nas próximas divulgações, especialmente no 2º trimestre.