A declaração de saída fiscal por contribuintes brasileiros cresceu 80,65% entre 2021 e 2026, passando de 25.797 para 46.603 registros até 19 de agosto, segundo dados da Receita Federal. O salto não é apenas contábil: sinaliza aversão a riscos domésticos e procura por alternativas fora do país.
Especialistas destacam que, na maior parte dos casos, quem se desloca é o dinheiro — e não necessariamente a pessoa física. Investidores de maior patrimônio têm aproveitado a mobilidade legal e instrumentos de diversificação para reduzir a exposição ao chamado 'risco Brasil', buscando mercados e ativos considerados mais estáveis.
Parte dessa ampliação decorre de um processo de formalização incentivado pela própria Receita: muitos já mantinham recursos no exterior sem declaração, e agora regularizam a posição diante de fiscalização mais ativa. O fenômeno concentra-se em contribuintes com maior capacidade financeira e volumes relevantes.
O movimento acompanha sinais de saída de capital da Bolsa: agosto vinha caminhando para registrar a maior retirada de recursos desde 2008. Entre os elementos citados estão a incerteza eleitoral e preocupações sobre a atividade econômica. Apesar disso, o Ibovespa fechou o pregão em alta de 1,85%, retomando os 170 mil pontos, influenciado por expectativas eleitorais e melhora externa.
Do ponto de vista econômico e político, a intensificação da saída fiscal e dos fluxos negativos exige resposta. Perda de confiança amplia o custo de capital, pressiona a capacidade de financiamento e complica a agenda fiscal. Para reduzir a evasão de recursos e atrair investidores, governos e reguladores terão de combinar previsibilidade, disciplina fiscal e reformas que aumentem a eficiência e a credibilidade institucional.