O Ministério da Defesa incluiu R$ 2,1 bilhões no orçamento de 2026 para o projeto F‑X2, destinado à aquisição dos caças F‑39 Gripen. Segundo o planeamento, os recursos devem contribuir para a entrega de duas aeronaves e o avanço das etapas de montagem programadas para os próximos anos. Do total previsto, R$ 1,357 bilhão já constava na Lei Orçamentária Anual, e outros R$ 739,5 milhões foram indicados pela portaria n° 184 de maio de 2026.
A chegada do primeiro Gripen‑F à Força Aérea Brasileira, anunciada na última semana, é um marco do acordo firmado com a Saab em 2014, que prevê a entrega de 36 jatos até 2032. Até agora foram desembolsados 28,27 bilhões de coroas suecas (R$ 15,3 bilhões) e a média anual do programa é de 2,26 bilhões de coroas (cerca de R$ 1,2 bilhão). O governo também manifestou intenção de adquirir mais 20 unidades, mas o aditivo ainda não foi assinado; a Saab disse estar pronta para negociar.
O reforço orçamentário aparece em um contexto de contração da capacidade: a FAB informou queda de 39,4% no tamanho da frota entre 2014 e 2025, enquanto o orçamento discricionário — usado para investimentos e despesas administrativas — recuou cerca de 42% no período. Para mitigar a perda de capacidade, a Lei Complementar nº 221/2025 prevê R$ 30 bilhões para projetos estratégicos da Defesa nos próximos seis anos; o Ministério da Defesa informou que a Aeronáutica recebeu R$ 840 milhões em 2026.
A entrega do primeiro caça é simbólica, mas não dissolve o desafio fiscal e operacional. A manutenção da capacidade aérea exigirá fluxo estável de recursos ao longo da década, decisão que ocorrerá em meio a prioridades concorrentes no ajuste das contas públicas. A incorporação dos recursos do Programa Novo PAC ao orçamento discricionário e a eventual compra das 20 unidades adicionais colocam o governo diante da necessidade de justificar custo e cronograma à sociedade e ao Congresso.