O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou 4,4% em março, chegando a US$ 60,3 bilhões, segundo dados do Census Bureau e do Departamento de Comércio. O número ficou ligeiramente abaixo da projeção média da Reuters, que indicava US$ 60,9 bilhões. O avanço das importações superou o ritmo das exportações, revertendo parte do ganho provocado por embarques de petróleo.

As importações subiram 2,3% em março, para US$ 381,2 bilhões, com as compras de bens crescendo 3,6% e alcançando US$ 302,2 bilhões. Entre esses, os bens de capital bateram recorde em US$ 120,7 bilhões — um sinal claro de que o boom de investimentos em inteligência artificial está puxando demanda por equipamentos e tecnologia.

Por outro lado, as exportações tiveram alta de 2,0%, em nível recorde de US$ 320,9 bilhões; as exportações de mercadorias subiram 3,1% para US$ 213,5 bilhões, em boa parte por conta do aumento nos embarques de petróleo. Analistas citam também o efeito do agravamento do conflito no Oriente Médio sobre preços e fluxos de combustíveis, que pode manter as exportações de petróleo elevadas nos próximos meses.

Do ponto de vista macro, a combinação de importações fortes e exportações voláteis pressionou o crescimento: o comércio exterior subtraiu 1,30 ponto percentual do PIB no primeiro trimestre, período em que a economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%. A leitura expõe um dilema: investimentos privados em tecnologia aumentam potencial produtivo, mas ampliam o déficit comercial no curto prazo, reduzindo o impulso líquido da demanda interna e estreitando espaço para políticas econômicas convergentes.