A disputa presidencial colombiana, com primeiro turno marcado para domingo (31), coloca no centro do debate um desafio que transcende nomes e rótulos partidários: o equilíbrio das contas públicas. Segundo Ernesto Revilla, economista‑chefe do Citi para a América Latina, a prioridade do próximo governo, seja qual for o vencedor, terá de ser convencer mercados e cidadãos de que a situação fiscal será endereçada com rapidez e credibilidade.

Os números pesam. A Colômbia deve registrar um déficit fiscal de cerca de 6,4% do PIB neste ano, enquanto a dívida pública se aproxima de 61% do produto. Citando estimativas do FMI, Revilla avalia que um ajuste equivalente a aproximadamente três pontos percentuais do PIB será necessário para restaurar um caminho sustentável das contas — um tamanho de ajuste que, embora tecnicamente administrável, tem custo político e social significativo.

O problema fiscal aparece num contexto macroeconômico pouco favorável: crescimento aquém do potencial histórico, queda de investimento privado e perda de confiança de investidores. A inflação persiste acima da meta do Banco Central, o que tem mantido taxas de juros mais elevadas e, por consequência, restringido a recuperação da atividade econômica. Esse quadro reduz espaço para estímulos e amplia a necessidade de escolhas dolorosas.

Há fatores positivos a considerar: o consumo das famílias ainda sustenta parte do crescimento e as exportações mantêm competitividade em segmentos importantes. Ainda assim, esses elementos não compensam o aperto fiscal necessário. O ajuste exigirá articulação com o Congresso, priorização de gastos e possível revisão de programas públicos — decisões que podem gerar tensão social e desgaste político para a nova administração.

Na prática, a mensagem técnica de economistas como Revilla tem implicações políticas claras: sem um plano fiscal crível, o governo eleito enfrentará custo maior de financiamento, menor margem para políticas sociais e dificuldade para atrair investimento privado. Se nenhum candidato obtiver maioria no domingo, o segundo turno está marcado para 21 de junho — prazo curto para que propostas concretas de consolidação convençam eleitores e mercados.