O recuo de sete posições no ranking mundial de competitividade — agora em 65º entre 70 economias — é um sinal claro de que gargalos estruturais vêm limitando a capacidade produtiva do país. A avaliação, que considera ambiente institucional, econômico e estrutural, aponta que o Brasil está menos apto a desenvolver grandes projetos, atrair investimentos e oferecer um ambiente regulatório previsível. Para analistas, o resultado representa o pior desempenho do país em anos recentes e reacende o debate sobre causas e consequências dessa perda de fôlego.

No centro do diagnóstico está o déficit de mão de obra qualificada. Dados da CNI citados por especialistas apontam escassez de cerca de 75 mil engenheiros, uma falta que incide diretamente sobre a capacidade de implementar obras, operar novas tecnologias e aproveitar oportunidades ligadas à inteligência artificial. A concentração de investimento e renda no agronegócio, característica da economia brasileira, acentua a defasagem entre profissões e reduz a atratividade do setor industrial para talentos e capitais que buscam ecossistemas de inovação.

O argumento sobre recursos para educação também ganha relevo: o país destina cerca de 5% do PIB à área — aproximadamente R$ 540 bilhões — montante considerado insuficiente diante da complexidade territorial e demográfica do Brasil. Pesquisas citadas por analistas sugerem que um patamar mais próximo de 10% do PIB seria mais adequado para enfrentar lacunas de infraestrutura escolar e formação técnica; na prática, porém, a participação real dos gastos tem recuado. Esse subinvestimento compromete resultados de médio e longo prazo e reduz a capacidade do país de competir por projetos de alto valor agregado.

Países no topo do ranking, como Taiwan, Suíça e Singapura, funcionam como parâmetro: economias com foco em formação, pesquisa e ambiente favorável a investimentos conseguem atrair projetos complexos e manter alta produtividade. Para reverter o quadro, especialistas defendem uma estratégia de médio e longo prazo que combine ampliação e melhor direcionamento do gasto em educação, ênfase na formação em matemática e competências técnicas, e políticas que estimulem diversificação produtiva além das commodities. Sem mudança estrutural, o Brasil corre o risco de ver sua indústria perder participação e perder janelas de oportunidade na transição tecnológica global.