Uma pesquisa da Robert Half com 100 executivos brasileiros sinaliza que a transformação digital já chegou ao alto escalão. Segundo o levantamento, 92% dos entrevistados veem o CAIO (Chief AI Officer) em ascensão na próxima década, 80% destacam o papel do Chief Data Officer, e 91% avaliam que posições ligadas à IA e à gestão de dados serão ainda mais estratégicas até 2035. Entre os cargos citados estão também CINO, CAIDO, CTO, CSO e CTRO.
Os números refletem uma demanda clara por competências tecnológicas e por liderança que conecte dados, inovação e estratégia. Mas há um risco prático que o mercado precisa enfrentar: a multiplicação de títulos sem clareza de mandato pode inflar estruturas e elevar custos fixos. Conselhos e diretorias terão de exigir métricas de retorno, responsabilidades definidas e governança corporativa robusta para evitar que a criação de cargos vire sinalização vazia em vez de transformação efetiva.
A pesquisa também aponta que 63% dos executivos consideram essencial a capacidade de reorganizar e adaptar a força de trabalho. É aí que se joga grande parte do desafio: investimentos em requalificação, mudanças em processos de RH e eventuais ajustes na folha serão necessários para que a adoção de IA não gere desalinhamento interno nem perda de capacidade operacional. A tensão entre velocidade de implementação e eficiência administrativa exige planejamento e disciplina fiscal por parte das empresas.
O diretor de recrutamento executivo da Robert Half, Mario Custódio, lembra que tecnologia não substitui o protagonismo humano na transformação. Traduzido para a gestão, isso significa que contratar especialistas em IA precisa andar junto com formação, governança ética e integração entre áreas. Sem isso, a corrida por C‑levels pode produzir mais ruído do que vantagem competitiva — e impor custos políticos e econômicos a conselhos e acionistas.