A taxa de desemprego subiu para 6,1% no trimestre móvel encerrado em março, informou o IBGE com base na Pnad Contínua. É a primeira vez desde os três meses encerrados em maio de 2025 — quando a taxa foi 6,2% — que o indicador volta a marcar 6% e evidencia um arrefecimento do mercado de trabalho que vinha nos menores patamares históricos.

O número de desempregados avançou 19,6% ante o trimestre anterior, para 6,579 milhões, ainda que mantenha recuo de 13,0% em doze meses. O total de ocupados caiu 1,0% no período, para 101,976 milhões, enquanto a renda média real do trabalhador alcançou R$3.722, novo recorde, com alta de 1,6% no trimestre e 5,5% em um ano.

O IBGE atribuiu parte da redução de ocupação à sazonalidade em setores como comércio e à desmobilização de contratos temporários em educação e saúde, segundo a coordenadora Adriana Beringuy. No setor privado, trabalhadores com carteira recuaram 0,6% no trimestre; sem carteira, houve queda de 2,1%.

Analistas esperam aumento gradual do desemprego diante do desaquecimento econômico, mesmo com a resistência do mercado de trabalho. Esse quadro tem implicações políticas e macroeconômicas: a manutenção da renda pode sustentar consumo no curto prazo, mas a alta do desemprego amplia desgaste político e complica o fio entre estímulo à atividade e pressão sobre inflação — justamente quando o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, para 14,50%.

Para o governo, a combinação de renda em alta e desemprego crescente é um desafio de comunicação e gestão. Se a tendência de piora na ocupação se confirmar, haverá pressão política por medidas que preservem emprego e renda, ao mesmo tempo em que ampliam o dilema fiscal e monetário do país.