O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou nesta segunda-feira que recursos do FGTS poderão ser usados para abater dívidas no programa batizado de Desenrola 2.0. Segundo o ministro, a utilização será limitada: haverá um percentual máximo para movimentação do fundo e o saque estará atrelado ao pagamento das dívidas incluídas no programa.

Durigan evitou detalhar as regras finais e disse que pretende levar na terça-feira as considerações dos bancos e dos técnicos da Fazenda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após encontros com fintechs e instituições financeiras, o ministro afirmou haver grande convergência entre o setor privado e as medidas propostas pelo Executivo, que trabalha com a expectativa de anúncio ainda nesta semana.

A proposta, contudo, já enfrenta resistência de analistas e do setor produtivo. Especialistas alertam que permitir o uso do FGTS para quitar dívidas pode reduzir o 'colchão' financeiro dos trabalhadores e desvirtuar a finalidade do fundo. A Abrainc manifestou preocupação explícita, apontando risco de impacto negativo no mercado de habitação caso a liquidez do fundo seja comprometida.

Além do efeito econômico direto sobre crédito e moradia, a medida traz custo político: ao tocar em uma reserva tradicionalmente vinculada à casa própria, o governo precisa equilibrar pressões sociais e a narrativa de proteção ao trabalhador. Se não houver comunicação clara e salvaguardas técnicas, a iniciativa pode abrir frente de desgaste político e reação do setor habitacional — um desafio que o Palácio terá de administrar rapidamente.