Uma pesquisa Nexus em parceria com o BTG Pactual divulgada nesta segunda-feira revela que cerca de 30% dos brasileiros pretendem renegociar dívidas por meio do Desenrola 2.0, mas apenas 6% afirmam já ter usado o programa. O levantamento ouviu 2.045 eleitores entre 22 e 24 de maio de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE (BR-04193/2026). Mais de 70% indicaram ter dívidas em atraso.
O Desenrola 2.0, lançado em 4 de maio de 2025 e ampliado agora para permitir o uso de parte do saldo do FGTS, passou a autorizar essa modalidade a partir de 26 de maio de 2026. O governo estima que a medida possa movimentar até R$ 8 bilhões na economia ao facilitar a quitação de débitos pelos trabalhadores.
O contraste entre a intenção (30%) e a adesão efetiva (6%) acende alerta sobre a capacidade operacional e de comunicação do programa. Números tão discrepantes sugerem entraves práticos — barreiras de acesso, desconhecimento ou desconfiança — que limitam o alcance da iniciativa e reduzem seu potencial imediato de alívio no orçamento familiar.
Politicamente, o resultado complica a narrativa do governo de oferecer resposta rápida ao endividamento: para converter interesse em resultado será preciso acelerar ajustes, ampliar divulgação e simplificar procedimentos. Mesmo com a possibilidade de liberar até R$ 8 bilhões, o volume pode ser insuficiente diante do amplo contingente de devedores e implica necessidade de monitoramento rigoroso do impacto econômico e fiscal.