O governo federal publicou a medida provisória que institui o Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0, dividido em quatro frentes para renegociação de dívidas: Famílias, Empresas, Rural e Fies. A iniciativa busca reduzir o endividamento e dar alívio econômico a milhões de brasileiros, com regras e limites específicos por público.

Na frente Famílias, elegíveis são pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos — aplicando-se apenas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). O programa prevê descontos de até 90% do valor devido, juros máximos de 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e 35 dias para início do pagamento. Débitos de até R$ 100 terão desnegativação automática. Usuários devem procurar os canais das próprias instituições (Inter, Caixa e Banco do Brasil, entre outros) para aderir.

Para micro e pequenas empresas, o governo ajusta o ProCred 360 e o Pronampe. O ProCred amplia condições para MEIs e microempresas com receita anual de até R$ 360 mil, incluindo carência de até 24 meses, prazo de pagamento de até 96 meses e tolerância à inadimplência de 90 dias, além de elevar o volume de crédito por empresa de 30% para 50% do faturamento (até 60% para negócios liderados por mulheres). O Pronampe passa a oferecer carência de até 24 meses e limite de crédito ampliado de R$ 250 mil para R$ 500 mil.

O Desenrola Rural inclui agricultores familiares, pescadores artesanais, cooperativas da agricultura familiar, beneficiários da reforma agrária e comunidades indígenas e quilombolas, com possibilidades de desconto, retirada de encargos e ampliação de prazos. O governo afirma que a primeira fase já beneficiou cerca de 507 mil produtores. A frente Fies traz opções de renegociação de contratos em atraso, com descontos que chegam a 99% para inscritos no CadÚnico e redução de até 77% para demais estudantes, além de parcelamentos em até 150 vezes com perdão de juros e multas em certas condições.

A engrenagem prática definirá o impacto: os benefícios anunciados podem reduzir pressão social e melhorar consumo, mas dependem da adesão das instituições financeiras, da divulgação e da capacidade operacional de regularização de milhões de contratos. Há também o risco de aumento do custo fiscal e da necessidade de monitoramento para evitar distorções e fraudes. Em suma, o Desenrola 2.0 oferece alívio potencial, mas sua eficácia medirá tanto o retorno político quanto o peso econômico.