A partir de 26 de maio, o Desenrola 2.0 passa a aceitar a utilização de parte do saldo do FGTS para quitação de dívidas. A confirmação foi dada pelo Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. O trabalhador poderá solicitar o cadastro diretamente em seu banco e, caso precise, usar um dos 10 mil pontos de atendimento dos Correios para se inscrever. O limite é de até R$ 1.000 por conta ou 20% do saldo residual, o que for menor. O governo estima movimentar R$ 8 bilhões com a iniciativa.

A instrumentação do programa vem na esteira dos números divulgados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan: até 14 de maio o Desenrola 2.0 já renegociou R$ 10 bilhões em 1,1 milhão de operações, beneficiando cerca de 1 milhão de CPFs e pagando 449 mil dívidas à vista. A lembrança dos dados é relevante diante do cenário de endividamento: dados da Serasa indicam que 50,5% da população adulta está com o nome negativado.

Do ponto de vista econômico e político, a medida tem alcance prático imediato, mas limites claros. O teto de R$ 1.000 — e a alternativa de 20% do saldo — tende a oferecer alívio pontual a muitos, sem resolver problemas estruturais de crédito. Além disso, usar recursos do FGTS para pagar dívidas privadas reduz a liquidez de um fundo pensado para habitação e proteção do trabalhador, o que acende alerta sobre escolhas que privilegiam consumo de curto prazo em vez de reservas para contingências.

A inclusão dos Correios amplia o acesso e pode elevar a adesão em áreas com menor bancarização, mas o impacto real só será medido por indicadores concretos: volume efetivamente sacado do FGTS, redução efetiva dos negativados e efeito sobre a demanda doméstica. Politicamente, o governo ganha um instrumento de alívio imediato, mas também assume o risco de críticas caso o programa se mostre pouco efetivo para recuperação sustentada do crédito ou desgaste as reservas do FGTS.